sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Arte de Glauber Rocha


FICHA TÉCNICACurta-metragem, preto e branco, 11 minutos, 120 metros,  Bahia, 1959.Diretor: Glauber Rocha; Argumentista e  Roteirista: Glauber Rocha;Fotógrafos: José Ribamar de  Almeida e Luiz Paulino dos Santos;Editor: Souza Jr. ; Música:Concreta (tema central: “Sinfonia para um Homem Só” de Pierre Henry e Pierre Schaeffer);  Locações: Salvador (Ba); Elenco: Helena Ignez e Solon Barreto.
Data de Conclusão: Foi pré-montado e exibido em versão  muda em 1958, razão pela qual a maioria das filmografias  registra o filme como sendo de 1958. (in “Revolução do  Cinema Novo”, pg, 409).
SINOPSEPrimeiro filme de Glauber, curta metragem experimental com 11 minutos de duração, rodado na Bahia. Num terraço de azulejos em forma de xadrez, um rapaz e uma moça. Esses dois personagens evoluem lentamente: se tocam, rolam no chão, se distanciam, se olham. Belos planos de mãos e rostos são montados em alternância com planos de vegetação tropical e do mar. Já nesse primeiro filme podemos discernir alguns traços específicos do cineasta: forte presença da natureza, tratamento do espaço e enquadramento.
COMENTÁRIO“Procuramos, humildemente, fugir das facilidades “criativas” que a literatura e as artes plásticas (como também a música) poderiam nos oferecer e procurar o que se julgaria difícil ou impossível: organizar um universo fílmico que vivesse por si mesmo, sem saber, de princípio, a problemática humana que surgiria daí. O processo de trabalho foi simples: como duas figuras humanas – macho e fêmea -, jogadas sobre um pátio em preto e branco com vista par o mar e céu e cercado por folhagem, partimos como a câmara, utilizada como instrumento, em busca do visual mais limpo, mais depurado, e que sairia do seu estado real para o estado de poeticidade, através unicamente da solução de enquadramento, do ponto-de-vista seletivo do cineasta em busca de elementos válidos que, na sala de montagem, lhe propusessem o problema de “criar” o organismo rítmico, o filme em seu estado de cinema enquanto cinema. É certo que a utilização de figuras humanas criou, dentro da lógica fílmica, uma pequena anedota. Todavia cremos que esta fica isolada em segundo plano desde quando o que imporá, fundamentalmente, é o clima fílmico, a nova dimensão de poeticidade que a peça cria. “Pátio” não quer “dizer” nada, não quer “discursar ou narrar’ essa ou aquela atitude humana, mas tão-somente criar em seu próprio âmbito aquilo que encontraríamos no grego Cacoyanis e no Kubrick de “A Morte Passou por Perto”: “estados” que só podem ser criados pelo enquadramento e pela montagem, os materiais de trabalho do cineasta consciente do seu ofício. A afirmação pode parecer pretensiosa, mas é apenas uma atitude honesta frente ao cinema que, no certo dizer do crítico Cláudio Bueno Rocha, não passa, hoje em dia, de simples arte de entretenimento. (Glauber Rocha, in “Jornal do Brasil, RJ, 29 de março de 1959, Suplemento Dominical).


Fonte:  www.tempoglauber.com.brhttp://www.tempoglauber.com.br/f_patio.htmlhttp://www.tempoglauber.com.br/f_patio.htmlhthhttp://www.tempoglauber.com.br/f_patio.htmlttp://www.tempoglauber.com.br/f_patio.htmltp://www.tempoglauber.com.br/f_patio.html

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